Mundial Fifa - Rússia 2018
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Mundial Fifa - Rússia 2018

Os antecedentes da Croácia sentem-se naquele património humano debruçado sobre o Adriático, de que Dubrovnik é modelo. Mas há ainda uma história futebolística por escrever, mais um capítulo que seja tão bonito como aquele 3º lugar no Mundial de 1998. Há matéria-prima para nova surpresa. 

Futebol atual

Não foi fácil para os croatas esquecer o dia 25 de Junho de 2016. Um golo de Ricardo Quaresma, já no prolongamento, atirou com a seleção croata para fora do último Europeu, depois de uma primeira fase muito elogiada pela crítica, na sequência de futebol de muita qualidade, coroada com a vitória sobre a anterior campeã em título, Espanha. Dois anos depois, aí está a seleção croata para o quinto Mundial e oitava grande competição do século. A expetativa mantém-se em alta e objectivo é voltar a atingir o pódio, igualando o 3º lugar do França-1998. Apesar do consenso generalizado à volta do talento de jogadores como Modric, Mandzukic, Rakitic ou Perisic, o apuramento para o Rússia-2018 não foi fácil. A vaga de acesso direto no Grupo I ficou na posse da Islândia e foi necessário recorrer ao play-off, frente à Grécia (4-1 e 0-0), para alcançar o tão desejado passaporte para a competição.

As dificuldades na fase de qualificação custaram o lugar ao treinador Ante Cacic. O lugar foi ocupado por Zlatko Dalic, antigo responsável pelos sub-21, que aos 51 anos tem o maior desafio da carreira (até ao momento) e muito pouco tempo para moldar a equipa à sua maneira. Nigéria, Islândia (com quem perdeu e ganhou na fase de qualificação) e Argentina são os adversários da primeira fase, legitimando o sonho de passar, pelo menos, aos oitavos de final.

 

Estreia em grande num Mundial
Prosinecki, Boban e Šuker: estes são três dos grandes jogadores que participaram na melhor campanha de sempre da seleção croata, com um 3º lugar no Mundial de 1998, numa caminhada que teve como um dos picos de mérito uns expressivos 3-0 que puseram a Alemanha de fora, nos quartos-de-final. Šuker tornou-se mesmo o melhor marcador do Mundial, com seis golos, numa estreia em grande da Croácia na competição.
 
É no país que está uma das maiores rivalidades internas da Europa, entre o Dinamo Zagreb e o Hadjuk Split. Ambos os clubes eram dois dos quatro grandes da antiga Jugoslávia, a par dos sérvios Partizan de Belgrado e Estrela Vermelha. Quer o Dinamo e o Hadjuk ganhavam tudo o que havia para ganhar no antigo Estado do general Tito - o Dinamo chegou a vencer uma Taça das Feiras (que chamar-se-ia mais tarde de Taça UEFA) em 1967. Com a Croácia independente e já com uma liga própria desde os anos 90, o Dinamo Zagreb tem tido um domínio avassalador.  

 
Tamburica
A tamburica é o instrumento mais conhecido, de várias dimensões e formas, desde o pequeno do tamanho de um bandolim a um bem maior, tão volumoso quanto um contrabaixo. O instrumento é herdeiro da influência otomana, similar ao turco saz, e atrai muitas vezes ensembles. Quando a Croácia estava a ser bombardeada pelos sérvios na Guerra dos Balcãs, músicas com bandas de tamburica estavam a ser passadas patrioticamente.
 
Mas há mais instrumentos característicos como o diple, gaita-de-foles popular em Istria e na costa da Dalmácia. Também na Dalmácia há a tradição dos coros masculinos conotados com o klape.

 
Mariscada com vista para o Adriático
A cozinha croata é tão diversificada e com influências tão diferentes - turca, húngara, austríaca ou mediterrânica - que é difícil encontrar um prato que una este jovem país. Como é normal, no interior come-se mais carnes. Junto à costa do Adriático, predomina mais o marisco e o peixe. Mas há dois pratos conhecidos e cozinhados em todo o país. A pasticada é um bife que é sempre melhor comido nalguma casa da Dalmácia do que num restaurante, por requerer longos preparativos, desde marinada em vinagre de um dia para o outro, a um refogado cuidado, que inclui vinho tinto croata. A peka, que pode ser de polvo ou de carne de cordeiro ou de vitela, é cozinhada lentamente numa tampa fechada em forma de sino, coberta de brasas, numa fogueira. Algumas destas formas de cozinha são milenares e já se praticavam nos tempos do Império Romano.
 
Da costa norte, Istria, junto à Eslovénia, vem uma das sopas mais reconhecidas, a manestra. Trata-se de uma sopa de feijão cozinhada em lume brando, que leva normalmente milho e repolho e que no final tem alguns acrescentos como pedacinhos de presunto. Já o peixe e o marisco aninham-se na maioria dos pratos das regiões junto ao Adriático. A muito popular (de norte a sul) buzara salteia marisco (camarões, mexilhões e amêijoas) com alho, azeite, salsa, pão ralado e vinho branco, e às vezes é avermelhado com molho de tomate. Mais para norte, há o crni rizot, que é um risotto escurecido com marisco, sobretudo amêijoas. Na costa sul, é apreciado o brudet, que é o que chamaríamos de ensopado de peixe. Em termos de entradas, os strukli são pastéis de queijo glorificados em Zagreb.
 
Os croatas também gostam de doces. Populares em toda a costa são as krostules, que se assemelham às nossas filhoses, e as fritules que são bolinhas fritas (muitos recorrentes na época natalícia) feitas de farinha, passas, raspas e um toque de aguardente local. Mais abaixo, na região de Dubrovnik, a rozata é um pudim de creme que remata muitas refeições.
 
Tal como muitos dos cozinhados croatas, também o vinho tem uma tradição milenar. A geografia seca típica do sul da Europa favorece a produção vinícola. Curiosamente, há mais brancos que tintos. Na região costeira, destacam-se os vinhos de Istria (de Malvazija) e da Dalmácia; na zona continental, têm renome os vinhos de Plešivica e da Eslavónia.

 
Costa histórica  
A costa croata tem um património humano recheado de cidades históricas e milenares, praticamente instaladas sobre o mar, em ilhas ou em penínsulas, com as suas calçadas apertadas e inclinadas, escadarias e arcos, igrejas antigas e ruínas romanas (muitas vezes anfiteatros). As praias de mar tão azul estão por todo o lado e a envolvência de montanhas só embeleza ainda mais o cenário. De todas estas cidades, a que mais turistas atrai é Dubrovnik, apelidada de Pérola do Adriático, mesmo no sul, próximo da Sérvia. Split, Korkula, Pula, Rovinj e Zadar são outras pérolas humanas vereneantes que respiram história. Lá para o interior, destacam-se os parques naturais, sobretudo o de Plitvice, autêntica maravilha natural da Europa. É um cruzamento de 16 lagos de diferentes cores (turquesa, cinzento, verde) e de cataratas, que podem ser percorridos em lindíssimas passadeiras de madeira. De inverno, o parque é igualmente fascinante, todo esbranquiçado de neve e em gelo.
 
Tal como as outras nações ex-jugoslavas, a Croácia é um país de grandes desportistas, de tal forma, que se torna difícil encontrar uma modalidade coletiva onde não sejam competitivos. O basquetebol é uma paixão quase tão grande como o futebol. A Croácia foi dos países europeus a exportar mais talentos para a NBA nos anos 80 e 90 como Toni Kukoc (dos Chicago Bulls), o prematuramente falecido Drazen Petrovic (dos Portland Trail Blazers) ou Dino Rada (dos Boston Celtics). Esta geração disputou a final olímpica de 1992 com a famosa dream team norte-americana - claro que a Croácia teve que se contentar com a prata. Jogos de mãos é mesmo com os croatas, seja em piso térreo, ou em piscina. No andebol, a seleção masculina já foi campeã olímpica por duas vezes (em 1996 e em 2004) e garantiu um título mundial (em 2003). No pólo aquático, a seleção masculina já saboreou todos os grandes títulos internacionais: medalha de ouro olímpica em 2012, campeões do mundo em 2007, campeões europeus em 2010 e uma presença recorrentes nos pódios. Nos courts, o maior herói foi o temperamental Goran Ivaniševic, tão bom nos serviços quão mau no fair-play. Ganhou o torneio de Wimbledon em 2001 e chegou a ser nº2 do ranking mundial.

 

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