Ajuda portuguesa a caminho de Moçambique

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
 21 de março de 2019

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, afirmou na noite de quarta-feira que a situação de Moçambique "não passa despercebida" a Portugal, referindo que os apoios serão "à medida das necessidades" do povo moçambicano.

"Existe um conjunto de manifestações de solidariedade por parte da sociedade civil, de organizações não-governamentais e muitos ministérios. A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) terá a responsabilidade de fazer a triagem de material e pessoal que seguirá no segundo avião", disse o ministro.

João Gomes Cravinho esteve presente, assim como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na partida da força de reação imediata portuguesa constituída por 25 elementos dos fuzileiros, dez do exército, três da força aérea e dois da GNR, a bordo de um avião C-130, para apoiar as operações em Moçambique, que partiu hoje do aeródromo de trânsito de Figo Maduro, em Lisboa.

Esta equipa, que leva a bordo dez botes, vai realizar missões de busca e salvamento, apoio às vítimas, distribuição de medicamentos e alimentos.

"Já temos médicos, enfermeiros e medicamentos neste primeiro avião. Depois vai seguir mais. Temos escassez de informação e à medida que esta se torne mais clara, de certeza que vamos responder à altura", garantiu, acrescentando que mais pessoas e material podem seguir por outras vias em caso de necessidade.

Para o dia de hoje está prevista a partida de um outro C-130 para Moçambique.

O ministro da Defesa explicou que existem pedidos de equipamentos e pessoas para ajudar a identificar os cadáveres, explicando que vai seguir para Moçambique equipamento do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e pessoal habilitado para "fazer as identificações necessárias", apesar de salientar que a primeira urgência é "resgatar pessoas com vida".

João Gomes Cravinho deixou também palavras de elogio aos militares portugueses que partiram, lembrando o trabalho que já tinham efetuado durante as cheias que afetaram o país africano em 2000.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué já provocou mais de 300 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos desde segunda-feira.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, anunciou na terça-feira que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil "estão em situação de risco", tendo decretado o estado de emergência nacional.

O país cumpre três dias de luto nacional até sexta-feira.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

A Cruz Vermelha Internacional indicou na terça-feira que pelo menos 400.000 pessoas estão desalojadas na Beira, em consequência do ciclone, considerando que se trata da "pior crise humanitária no país".
 

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