COP26: "Última esperança" ou "blá blá blá" - as frases da cimeira

ASSOCIATED PRESS (AP) / Alberto Pezzali
 11 de novembro de 2021

A “última esperança” para limitar o aquecimento global a +1,5ºC ou apenas “blá blá blá”, a cimeira mundial do clima de Glasgow entra hoje na reta final, ainda que falte “uma montanha para escalar”.

Na quarta-feira o presidente da cimeira da ONU, Alok Sharma, disse esperar um texto de resoluções “praticamente final” até hoje de manhã, mas reconheceu que há “uma montanha para escalar”.

Ao longo das últimas duas semanas estas são algumas das frases que marcaram a 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26):

- “Somos a Amazónia pela vida, somos o grito do ar, a água, os criadores da floresta, estamos aqui para obter respostas e ações dos Estados".

Gregorio Diaz Mirabal, da tribo Wakuenai Kurripaco, representante de 3,5 milhões de indígenas da América do Sul.

- Durante a pandemia de covid-19 “as alterações climáticas não fizeram férias. Todas as luzes estão vermelhas no painel de avaliação do clima”. A COP26 é “a última esperança” de limitar o aquecimento global.

“Podemos escolher reconhecer que continuar com as coisas como estão não vale o preço devastador que temos que pagar e fazer a transição necessária ou aceitar participar na nossa extinção”.

Alok Sharma, presidente da COP26.

- “A raiva e impaciência do mundo serão impossíveis de conter" se não conseguirem entender-se para conter as alterações climáticas, uma "máquina do apocalipse" que é preciso desarmar.

"Podemos não nos sentir um James Bond, mas temos a oportunidade e o dever de fazer desta cimeira o momento quando a Humanidade começou a desarmar essa bomba, o momento quando começámos irrefutavelmente a virar a maré e a lutar contra as alterações climáticas".

Boris Johnson, primeiro-ministro britânico.

- “É hora de dizer basta. Basta de brutalizar a biodiversidade, basta de matarmo-nos a nós mesmos com carbono, basta de tratar a natureza como uma latrina (…) e de cavar a nossa própria sepultura”.

António Guterres, secretário-geral da ONU.

- “Se somos suficientemente fortes para desestabilizar o nosso planeta, também somos suficientemente poderosos para o salvar se trabalharmos juntos”.

David Attenborough, naturalista britânico.

- “Queremos demonstrar que os EUA não estão apenas de volta à mesa [de negociações], mas vão liderar com o poder do exemplo”.

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos.

- "Estamos a perder a corrida da neutralidade carbónica para uma coligação de viciados em carbono que preferem lutar pelo carvão a lutar por um futuro de bons empregos e indústrias inovadoras criadas pela ambição climática".

Josaia Vorege Bainirama, primeiro-ministro de Fiji.

- "Dizemos chega de 'blá, blá, blá', chega de exploração das pessoas, da natureza e do planeta; chega que o façam lá dentro".

Greta Thunberg, ativista sueca, numa concentração junto ao local da COP26, de onde, disse, não sairá mudança.

- "Infelizmente, temos que reconhecer que estamos muito longe de atingir os objetivos [do Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura média global até ao fim do século]. Isto não pode continuar assim. Não há tempo a perder. Demasiados irmãos e irmãs nossas estão a sofrer com esta crise do clima".

Papa Francisco, numa mensagem enviada à COP26.

- “Acho que foi um grande erro a China não ter vindo. O resto do mundo olhou para a China e perguntou: que valor acrescentam eles?”.

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos

- “Estamos a subsidiar o problema que estamos a tentar curar aqui em Glasgow. Não faz sentido, e ressalta o nível a que nós, seres humanos, somos capazes de nos envolver no absurdo, de viver a negação completa da realidade”.

John Kerry, antigo secretário de Estado norte-americano e atual enviado dos Estados Unidos para o Clima, depois de falar dos milhões de subsídios para combustíveis fósseis.

- "Mal temos contribuído para a crise climática global, não somos a causa do problema, mas sentimo-lo todos os dias, e não estamos a receber dinheiro suficiente para nos adaptarmos. Só recebemos seis mil milhões de dólares [5,1 mil milhões de euros] por ano, quando precisamos de 33 mil milhões de dólares [28,4 mil milhões de euros]".

Félix Tshisekedi, presidente da União Africana.

- “Muitas vezes vê-se a imagem de um urso polar com fome como um símbolo, mas nós também somos muito afetados pelas alterações climáticas todos os dias”.

Adelaide Ahmasuk, ativista Inuit, povo indígena que habita o Ártico.

- “Foram aquelas máquinas que começaram as emissões de gases com efeito de estufa”.

Louise, ativista em Glasgow, sobre estátuas da cidade, uma delas a de James Watt, inventor do condensador em 1769, que tornou a máquina a vapor mais eficiente, desencadeando em Glasgow a Revolução Industrial.

- “Tivemos 26 destas reuniões e ainda não falaram sobre deixar os combustíveis fósseis [como petróleo e gás natural] no solo. Isso mostra como eles não querem falar sobre a tarefa mais importante, a coisa fundamental que deve ser feita. A razão é porque o poder das empresas de combustíveis fósseis na política continua muito grande”.

George Monbiot, jornalista e ativista ambiental britânico.

- "Não é fácil para a Escócia. Atualmente, dezenas de milhar de empregos dependem do petróleo e do gás. Muitas das nossas necessidades de energia são satisfeitas pelo petróleo e gás”.

Nicola Sturgeon, primeira-ministra escocesa.

- "Já houve demasiadas 'workshops', demasiados retiros, demasiadas conferências. Diz-se sempre que é tempo de agir agora, que chegou a altura... mas na verdade, já não há tempo".

Keriako Tobiko, ministro do Ambiente do Quénia.

- "Preparem-se para uma maratona, não para uma corrida, porque resolver um problema tão grande, tão complexo e tão importante nunca aconteceu de uma só vez”.

Barack Obama, ex-Presidente dos Estados Unidos.

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