Eduardo Cabrita demite-se do Governo

LUSA
 03 de dezembro de 2021

O Ministro da Administração Interna apresentou esta sexta-feira o pedido de exoneração a António Costa. Isto, depois de o motorista de Eduardo Cabrita ter sido acusado de homicídio por negligência, num atropelamento na A6, a 18 de Junho de 2021. A vítima, Nuno Santos, era um trabalhador da limpeza da estrada com 43 anos.

O carro seguia a 163 km/hora. De acordo com a acusação, o arguido conduzia em violação das regras de velocidade e circulação previstas no Código da Estrada e com “inobservância das precauções exigidas pela prudência”.

Esta tarde, numa declaração sem direito a perguntas, no Ministério da Administração Interna, em Lisboa, o ministro explicou que desde o acidente, só "a lealdade" e "a solidariedade do senhor primeiro-ministro" o levaram a prosseguir no exercício das suas funções. 

Cabrita diz que, neste momento, não poderá permitir que este caso "seja utilizado para penalizar a ação do governo" e para prejudicar o partido socialista nas eleições que se avizinham.

Na declaração, onde fez um balanço do seu mandato, Eduardo Cabrita referiu-se ao acidente que provocou a morte de um trabalhador na autoestrada dizendo que "mais do que ninguém" lamenta "essa trágica perda irreparável" e deixou críticas ao "aproveitamento político que foi feito de uma tragédia pessoal", algo que disse ter observado "com estupefação".

No início da declaração, Eduardo Cabrita afirmou que assumiu funções como ministro da Administração Interna em outubro de 2017, depois dos incêndios florestais desse ano que vitimaram mais de 100 pessoas, e "num contexto particularmente difícil" para o país.

"Desde então tenho trabalhado intensamente para assegurar que Portugal é um país seguro nas suas várias dimensões", disse, dando conta dos resultados obtidos nos últimos quatro anos em matéria de incêndios e segurança.

Eduardo Cabrita destacou ainda a resposta dado à pandemia de covid-19 em que o Ministério da Administração Interna assumiu a responsabilidade das medidas do estado de emergência.

Após esta declaração, o primeiro-ministro, António Costa, disse ter aceitado o pedido de demissão de Eduardo Cabrita do cargo de ministro da Administração Interna e que "nos próximos dias" indicará o nome do sucessor.

O motorista do carro onde seguia o ministro da Administração Interna e que atropelou mortalmente um trabalhador na A6 foi acusado de homicídio por negligência, segundo despacho de acusação do Ministério Público hoje conhecido.
 

 

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