Poeta brasileiro que lutou pela Amazónia morre aos 95 anos

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 14 de janeiro de 2022

O poeta brasileiro Thiago de Mello, conhecido pela sua luta em defesa do meio ambiente e da floresta amazónica e que viveu exilado em Portugal, morreu hoje aos 95 anos na sua residência na cidade de Manaus.

A morte do famoso autor de "Os Estatutos do Homem" foi confirmada pela editora Global, que publicou as suas obras, e pelo governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, em mensagens de condolências publicadas nas redes sociais.

Mello, cuja obra foi traduzida para mais de 30 idiomas, teve ligações com diversas personalidades de países como Argentina, Chile, Portugal e Bolívia, onde viveu exilado após ser perseguido pela ditadura militar brasileira (1964-1985).

Um desses amigos foi o poeta chileno Pablo Neruda, de quem foi tradutor de uma das suas antologias para português, o que fez com que o brasileiro se tornasse um dos principais convidados dos eventos que o Governo chileno organizou para comemorar o centenário da morte de Neruda.

Apesar de ter vivido muitos anos fora do Brasil, mesmo atuando como diplomata, o poeta nunca esqueceu a Amazónia, razão pela qual nas últimas décadas se instalou definitivamente em Manaus.

O seu poema mais famoso, "Os estatutos do homem", um hino à liberdade e ao bom relacionamento da humanidade com a natureza, foi publicado em 1977, nos anos mais difíceis de uma ditadura militar a que se opôs.

"Está decretado que ora vale a verdade, ora vale a vida, e, de mãos dadas, todos marcharemos pela vida verdadeira", diz um dos versos.

Thiago de Mello, nome literário de Amadeu Thiago de Mello, nasceu em Porantim do Bom Socorro, vila do município amazónico de Barreirinha, em 30 de março de 1926, mas a sua família mudou-se para Manaus em 1930, onde o poeta concluiu a universidade.

Em 1946 fixou-se no Rio de Janeiro ao ingressar na Escola Nacional de Medicina, mas não concluiu o curso e preferiu seguir a carreira literária.

O seu primeiro volume de poemas, "Coração da Terra", foi publicado em 1947.

Em 1957 tornou-se chefe do Departamento Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 1959 e 1960 atuou como adido cultural nas embaixadas do Brasil na Bolívia e no Peru, e entre 1961 e 1964 na embaixada brasileira do Chile.

Após o golpe militar, desistiu da carreira diplomática e regressou ao Rio de Janeiro, mas os seus trabalhos críticos tornaram-no alvo de perseguição política, forçando-o ao exílio.

Após o exílio, voltou para Manaus, de onde nunca mais saiu e de onde se dedicou a uma poesia totalmente comprometida com a preservação ambiental.

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