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Onda solidária com as mulheres americanas em Glastonbury

Ron Rowley (EPA/Lusa)
 27 de junho de 2022

O Festival de Glastonbury, cujo pico mediático decorreu durante este fim-de-semana, foi marcado pela vaga de declarações de músicos contra a reversão constitucional da lei Roe v. Wade, que despenalizava o aborto nos Estados Unidos.

Um dos músicos que se insurgiu em Glastonbury contra a decisão do Supremo Tribunal foi o rapper Kendrick Lamar, que, na noite passada, optou pelo simbolismo em detrimento de palavras diretas, ao encerrar o seu espetáculo ao som de 'Savior', com uma coroa de espinhos na cabeça e sangue articial a escorrer, e a frase-chave "Godspeed for women’s rights".

 

Na sexta-feira passada, Billie Eilish não deixou de comentar o retrocesso legislativo decretado em Washington, antes de fazer uma versão acústica de 'Your Power' na companhia do seu irmão Finneas: "Hoje é um dia muito sombrio para as mulheres nos Estados Unidos".

A jovem de 19 anos Olivia Rodrigo foi das mais explícitas na sua revolta com a reversão constitucional sobre a lei do aborto nos Estados Unidos, dedicando a sua versão do tema de Lily Allen, 'Fuck You', aos juízes do Supremo Tribunal que aprovaram esta alteração. "Tantas mulheres e jovens vão morrer por causa disto". Quando fez questão de nomear os nomes dos juízes do Supremo Tribunal que aprovaram esta reversão, Lily Allen estava ao seu lado, a fazer o gesto do pirete. 

 

A cantora neo-zelandesa Lorde também foi dura nas palavras, durante o seu concerto de ontem no festival inglês. Dirigindo-se às mulheres, Lorde afirmou que "os vossos corpos estavam destinados a serem controlados e tornados objetos desde que nasceram. Esse terror é o vosso direito primogénito. Mas aqui vai outro segredo. Vocês possuem força. Esse também é um direito primogénito vosso. Desafio-vos a exercitarem esse direito, porque tudo à volta depende disso. Fuck the Supreme Court”. 

 

O ativista e vocalista dos Idles, Joe Talbot, quis dedicar o tema da sua banda 'Mother' "a todas as mães e a todas mulheres e ao seu direito de optar pela maternidade”, no concerto que decorreu nesta sexta-feira no recinto do Festival de Glastonbury, no Worthy Farm.

Mas em Glastonbury, não houve só contestação. Também houve glamour. Diana para os ingleses é Lady Di, mas para esta edição do Glastonbury, é outra princesa, mais ligada à soul, falamos de Diana Ross, que mostrou o peso do seu glorioso percurso, através de temas a solo como 'I'm Coming Out' ou 'Upside Down', e de canções das Supremes, como 'Baby Love', 'Stop! In the Name of Love' ou 'You Can't Hurry Love'.

 

As Sugababes apareceram em Glastonbury com o trio original reativado - Keisha Buchanan, Mutya Buena e Siobhan Donaghy –, tendo sido um dos acontecimentos da edição deste ano.

 

Os Jesus and Mary Chain já tiveram muitas figuras femininas ilustres em palco para o breve papel de fazer coros sumidos no clássico de 1985, 'Just Like Honey'. Em Glastonbury, esse papel coube desta vez a um dos nomes do cartaz, Phoebe Bridgers, que se prepara para nos visitar, para um concerto no festival NOS Alive, em Algés, no dia 9 de julho.

 

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