O Gajo: Sim, estes somos nós!

Jorge Buco
 01 de abril de 2020


Parece que estamos num filme de ficção científica ou numa daquelas viagens surreais que fazemos durante o sono, mas afinal o beliscão não nos acorda, dói simplesmente.

Procuramos nas nossas gavetas interiores (uns mais desesperadamente que outros) novas ferramentas para enfrentar esta realidade. Algumas dessas ferramentas estão por estrear, são esquisitas e nem sempre trazem livro de instruções.

Eu sou músico e a Viola Campaniça que tenho sempre à mão é a minha medicação. O meu regulador de actividade emocional. Se estou furioso ela acalma-me, se estou deprimido ela anima-me e nunca falha.

Lá fora oiço pouco movimento. Parece que compreendemos bem a mensagem "Ficar em casa", mas o que é que significa ficar em casa? Significa pôr muita coisa à prova, e coisas que se calhar nunca pensámos questionar pois nunca nos imaginámos nesta situação. Serei egoísta? Serei generoso? Serei paciente? As respostas surgirão com o tempo.

Estas situações de crise trazem ao de cima o nosso melhor, mas também o nosso pior e enquanto uns se tornam verdadeiros heróis na primeira linha desta pandemia, outros revelam a cobardia que andava disfarçada e fazem aumentar os casos de violência doméstica, por exemplo.

A natureza humana é traiçoeira e se temos de parar este vírus rapidamente não é só para salvar a vida dos mais fragilizados fisicamente, mas para não trazermos ao de cima muitas verdades indesejadas.

Eu sou músico e espero que juntos encontremos a nossa medicação.

O Gajo
 

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