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EPA

Afeganistão com 23 milhões de pessoas em "níveis extremos de fome"

O Afeganistão tem uma população de 39 milhões de pessoas.

Cerca de 23 milhões de pessoas no Afeganistão sofrem de "níveis extremos de fome", falta de água potável, de habitação ou cuidados de saúde, uma situação humanitária "alarmante", segundo o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi.

Em declarações a partir de Genebra para o Conselho de Segurança, Filippo Grandi, pediu hoje aos países-membros desta instância da ONU mais coesão internacional e coerência face ao que denominou de “grande fracasso do sistema” na proteção de migrantes e deslocados, apontando como caso mais alarmante o do Afeganistão.

Neste país com uma população de 39 milhões de pessoas, indicou o alto-comissário, cerca de 23 milhões sofrem de “níveis extremos de fome”, falta de água potável, falta de habitação ou más condições de saúde.

Cerca de 3,5 milhões de pessoas estão em situação de deslocamento forçado devido ao conflito no Afeganistão, dos quais 700 mil terão sido forçados a partir nos últimos meses, antes e depois da retirada de tropas americanas do país, em agosto, e da retomada de poder pelos talibãs.

A Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) presta ajuda humanitária a 60 mil pessoas por semana no Afeganistão, disse Filippo Grandi, e a permanência no país para ajuda humanitária também permitiu uma certa interação com o regime talibã, com “progresso limitado”, mas que, na opinião do responsável, tem de continuar a ser intensificado.

O alto-comissário reiterou o pedido feito esta manhã em Genebra aos doadores da UNHCR, no valor de nove milhões de dólares (oito milhões de euros), para ajudar 84 milhões de refugiados ou deslocados em 2022.

Grandi sublinhou a situação na Etiópia como “o exemplo mais significativo” da falta de negociações políticas, “no meio de duas partes que estão fixadas num desfecho militar”.

Há 13 meses que a ajuda humanitária às pessoas mais necessitadas tem sido dificultada, resultando num dos “piores contextos humanitários no mundo”, sendo que cerca de 20 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária urgente.

A Síria é outro exemplo de “progresso lento” e quase “paralisia” das soluções políticas, com a situação humanitária sempre a piorar, “como resultado do conflito, falta de recursos, efeito de sanções e crise política e económica no país vizinho, o Líbano.

Myanmar, Iémen ou Sudão foram os países apontados pelo responsável como exemplos de “falhanços internacionais” que obrigam as organizações de assistência humanitária, como o própria ACNUR, a enfrentar “todo o tipo de interlocutores [políticos], incluindo alguns que não são reconhecidos internacionalmente”.

Grandi considerou que o sistema multilateral, de grande importância, tem de ser reforçado face a um “sistema internacional que nunca foi tão sujeito ao fracasso” como agora.

A nível global, o alto-comissário alertou para a politização do trabalho humanitário, a “inação” e “incapacidade da comunidade internacional”, para além da “paralisia gerada” pela interferência de agendas políticas em situações de emergência e crise.

O “falhanço internacional”, disse Grandi, tem “várias faces” e pode ser visto em situações de “instabilidade e insegurança, fome, desastres ou colapso de estados”, mas também, sublinhou ao alto-comissário, situações de “deslocamentos forçados”.

Redação / Agência Lusa

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